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História da Freguesia

Da origem do curato ao surf, passando pelo património e pelas festas.

Origem e Fundação

O Jardim do Mar começou por ser um curato dependente dos Prazeres ou do Paul do Mar, provavelmente criado no segundo quartel do século XVIII. O Curato foi formalmente instituído a 15 de novembro de 1734, com sede na já existente Capela de Nossa Senhora do Rosário.

Entre 1911 e 1930 o Jardim do Mar esteve anexado à freguesia do Estreito da Calheta. Tornou-se freguesia autónoma pelo Decreto-Lei n.º 30.214, de 22 de dezembro de 1939.

O nome da freguesia está ligado à beleza que o lugar tinha no passado, quando estava coberto de flores silvestres. Topónimos como o Sítio das Roseiras guardam ainda essa memória.

Vista aérea do Jardim do Mar encaixado entre a falésia e o mar.

Património

Interior da igreja do Jardim do Mar, com os altares e o corredor central.

Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Rosário

A antiga capela foi reconstruída em 1786. A nova igreja, em estilo neogótico e inspirada na Catedral de Notre-Dame de Paris, foi construída entre 1906 e 1907 por iniciativa do pároco César Martinho Fernandes, com a ajuda da população e sem fundos públicos. Foi benzida a 19 de setembro de 1907 pelo Bispo D. Manuel Agostinho Barreto.

Fachada rosada da capela, com portal de madeira, janela com moldura de pedra e cruz no topo.

Capela de Nossa Senhora da Piedade

Fundada em 1736 pelo proprietário João de Couto Cardoso e reconstruída em 1825. Está classificada como Imóvel de Valor Concelhio (Decreto n.º 129/77).

Ruínas de pedra do antigo engenho, com a chaminé alta em frente à encosta.

Engenho de açúcar

Junto ao mar conservam-se as ruínas de um antigo engenho de açúcar, com os seus tanques revestidos a azulejo.

Pequena construção de pedra com telhado de telha e porta de madeira, rodeada de socalcos e bananeiras.

Moinho das Roseiras

Situado no Sítio das Roseiras, no início do caminho que liga o Jardim do Mar aos Prazeres. Como a freguesia tinha mais água do que as vizinhas, o moinho trabalhava todo o ano. Pertenceu a José Maria Ferreira e a Maria Leopoldina Sumares Ferreira, funcionou ainda alguns anos depois de 1955 e foi doado à Junta de Freguesia pelos herdeiros em 2005.

Rede de linho presa a uma cana de bambu, exposta numa vitrina junto a um muro de pedra, com painéis informativos e fotografias antigas.

Rede de transporte

Esta rede data do séc. XIX.

Foi usada para transportar as pessoas doentes e o padre pelas montanhas fora. A rede é de tecido de linho e suportada pela cana de bambu. Os dois homens que transportavam as pessoas eram os “Redeiros”. Estes deveriam ser de estatura corpulenta. Também usavam um bordão de apoio tendo na parte superior uma forquilha e na parte inferior um ferro – era o “Bordão de Forquilha”. À volta de 1930, o padre Sebastião era músico e deslocava-se frequentemente às freguesias limítrofes (Prazeres, Ponta do Pargo, Arco da Calheta e Calheta); para tocar órgão nas igrejas. Esta rede pertence à Igreja de Nossa Senhora do Rosário e data dos anos trinta, sendo quase exclusivamente usada pelo respectivo pároco e doentes. O pagamento era simbólico.

Economia e Tradições

As ruínas do engenho junto ao mar testemunham o passado açucareiro da freguesia. As casas baixas e tradicionais, com as suas chaminés prismáticas, fazem parte da paisagem de uma terra encaixada entre o mar e a rocha.

Onda longa a rebentar junto à marginal, com o casario e a torre da igreja ao fundo.

O Surf no Jardim do Mar

Hoje, o Jardim do Mar é também conhecido como um dos destinos de surf mais atrativos da Europa. As ondas formadas pelos swells do Atlântico Norte, indicadas para surfistas experientes, já receberam várias competições internacionais.

Onda grande de água azul a rebentar em frente ao casario, com a torre da igreja ao fundo.

Galeria

  • Surfista a descer uma onda grande.
  • Onda grande a rebentar no mar do Jardim do Mar.
  • Surfista a descer uma onda grande, com espuma branca a rebentar atrás.
  • Onda a rebentar, com um surfista pequeno ao fundo.
  • Surfista de fato escuro e verde a surfar uma onda de água azul.
  • Dois surfistas na mesma onda de água azul, um deles a remar e outro de pé na prancha.
  • Surfista a fazer uma manobra numa onda de água azul.
  • Surfista de prancha azul-clara a descer uma onda grande.

Festividades

A principal festa da freguesia é a de Nossa Senhora do Rosário, padroeira do Jardim do Mar, celebrada a 7 de outubro.

O Jardim do Mar Hoje

Situado numa fajã protegida por escarpas rochosas, na costa oeste da Madeira, o Jardim do Mar mantém uma atmosfera pacata e típica, com as suas ruelas estreitas e o casario baixo em redor da Igreja de Nossa Senhora do Rosário.

Com 0,74 km² e 215 habitantes (Censos de 2021), o Jardim do Mar fica a 5,9 km da sede do concelho e faz fronteira com as freguesias do Paul do Mar, dos Prazeres e do Estreito da Calheta. A população chegou a ultrapassar os 500 habitantes em 1960.

Junto ao mar ficam a Praia do Portinho, a Praia da Enseada e a Praia da Vigia.

A freguesia dispõe de um serviço de Segurança Social, de um Centro de Saúde e da sede da Junta de Freguesia, que inclui um centro multimédia e uma biblioteca.

Telhados laranja do Jardim do Mar vistos de cima, com o mar ao fundo.